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RFK Jr. corta 75% da equipe da agência que pesquisa saúde nos EUA

· por Rafa Tanaka

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Tem uma agência do governo americano cuja missão é simples: descobrir o que funciona (e o que não funciona) na saúde dos EUA. Ela se chama AHRQ e, segundo especialistas e um grupo de senadores, está sendo desmontada por dentro.

O motivo é uma sequência de decisões do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., que já reduziu em cerca de 75% o quadro de funcionários da agência e cancelou em massa bolsas de pesquisa que estavam em andamento.

O tamanho do rombo

Os números impressionam. Mais de 100 bolsas de pesquisa, somando acima de 250 milhões de dólares, foram simplesmente encerradas. O Congresso havia liberado 345 milhões de dólares para o ano fiscal de 2026, mas só 15 milhões chegaram de fato a projetos até agora. O resto ficou parado.

Na prática, isso significa laboratórios fechando, equipes demitidas e pesquisas interrompidas no meio do caminho em mais de 30 estados americanos.

O que foi jogado no lixo

Um grupo de 30 senadores democratas listou alguns dos projetos afetados numa carta enviada a Kennedy. Entre eles:

  • Treinamento de profissionais de saúde rural para emergências obstétricas em Connecticut
  • Ampliação do acesso à diálise domiciliar em Nova York
  • Redução de quedas de pacientes em hospitais rurais do Colorado
  • Combate ao uso excessivo de antibióticos em Utah
  • Melhoria no diagnóstico de autismo em crianças negras na Carolina do Norte
  • Programas para reduzir dependência de opioides no tratamento de dor crônica na Virgínia

Segundo os senadores, muitas dessas bolsas foram canceladas por carta padrão, com justificativas contraditórias e até citações erradas. Nada muito sutil.

“Sabotagem”, segundo o Congresso

É um abuso de poder administrativo que vai deixar americanos mais doentes, mais pobres e morrendo de causas evitáveis.

É assim que a carta dos senadores resume o momento. Eles deram a Kennedy até 25 de agosto para responder e reverter os cancelamentos.

Especialistas em política de saúde reforçam o ponto num artigo publicado nos Annals of Internal Medicine: o problema não é só perder dados e descobertas específicas. É parar de formar a próxima geração de pesquisadores que entendem como o sistema de saúde funciona, ou falha, no dia a dia.

Pensa assim: a AHRQ era o time que catava os erros silenciosos do sistema, tipo paciente que cai da cama no hospital, ou clínica que passa antibiótico sem necessidade. Coisa que não vira manchete, mas afeta gente real toda semana. Cortar essa área sem plano B não economiza dinheiro, só transfere o custo pra depois, geralmente pra quem já tem menos acesso a cuidado de qualidade.

Fonte: https://arstechnica.com/health/2026/08/sabotage-experts-lawmakers-blast-rfk-jr-for-destroying-healthcare-research/