Inteligência Artificial

Filhos de Robin Williams reativam Instagram contra deepfakes

· por Rafa Tanaka

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O perfil do Robin Williams no Instagram estava parado desde 2014, ano da morte dele. Agora voltou ao ar, mas não é pra virar memorial estático: os filhos Zelda, Zak e Cody assumiram a conta pra usar como resposta direta a um problema que só cresceu nos últimos anos, os vídeos e imagens feitos com IA que imitam a voz e o rosto do pai deles.

Zelda explicou nos stories da própria conta que reabrir o espaço é uma forma de dar às pessoas acesso a fotos e vídeos reais dele, em vez de deixar que conteúdo gerado por IA vire a referência principal na internet. A ideia, segundo ela, é transformar o perfil em um lugar confiável, onde memórias com autenticidade e cuidado ficam disponíveis pra quem quiser ver.

Isso não é a primeira vez que ela fala sobre o assunto. No ano passado, Zelda já tinha pedido publicamente pra fãs pararem de mandar vídeos com IA do pai. Na época ela usou uma expressão forte pra descrever o resultado: basicamente bonecos digitais mal feitos vestindo a cara de alguém que já morreu e não pode dar opinião sobre isso.

O problema é maior que um caso isolado

Dá pra entender a frustração. Ferramentas de geração de vídeo por IA têm, em teoria, barreiras pra evitar que você recrie a imagem de uma pessoa famosa sem permissão. Só que na prática essas barreiras vazam bastante. O Sora, da OpenAI, virou point pra gerar cenas com personagens protegidos por direito autoral e celebridades antes de ser descontinuado. O Grok, segundo reportagem da Wired, continua sendo usado pra criar deepfakes sexualizados de mulheres famosas.

Do lado das empresas, tem movimento também. A ByteDance fechou acordo com a Motion Picture Association depois que o modelo Seedance permitiu gerar cenas com o rosto de estrelas de Hollywood sem controle nenhum. E teve caso de golpe usando a imagem de IA de Taylor Swift e Rihanna pra empurrar produto no TikTok.

No fim das contas, o movimento da família Williams é uma tentativa prática de recuperar o controle da narrativa: em vez de brigar caso a caso contra cada vídeo falso, eles preferem ocupar o espaço com conteúdo real. É um recado direto pra quem usa IA pra recriar pessoas que não estão mais aqui pra consentir com nada disso.

Fazer desse espaço um lugar onde as pessoas encontram clipes e fotos autênticos dele é uma das melhores formas que encontramos pra combater o abuso generalizado de IA com a voz e a imagem dele.

Pra quem acompanha de perto o uso de IA generativa em redes sociais, isso mostra outro ângulo do problema: não é só sobre desinformação ou golpe, é sobre memória e consentimento póstumo. Por enquanto, a resposta mais eficaz que apareceu foi simplesmente devolver o controle da conta pra quem conheceu a pessoa de verdade.

Fonte: https://www.theverge.com/entertainment/981644/robin-williams-instagram-account-ai