Inteligência Artificial

IA Observatory revela como as pessoas realmente usam ChatGPT e Claude

· por Lia Andrade

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Imagina pedir pra uma empresa de carros te mostrar só as fotos onde o motor não fumaça. É mais ou menos assim que funcionam os relatórios de uso que Anthropic e OpenAI publicam sobre suas próprias ferramentas: eles escolhem o que mostrar, e ninguém de fora consegue confirmar o resto. Curioso, né?

Foi pra resolver esse ponto cego que nasceu o AI Observatory, um projeto de pesquisa independente que decidiu abrir o capô sozinho. E o que ele encontrou é revelador: muito mais comportamentos sensíveis do que os relatórios corporativos costumam admitir, que tendem a focar em produtividade no trabalho e deixam de lado o uso pessoal, emocional, íntimo mesmo.

Cada modelo tem sua personalidade de uso

Um dos achados mais interessantes é que as pessoas não tratam todos os modelos como intercambiáveis. Existe uma espécie de divisão de trabalho natural surgindo:

  • Anthropic (Claude) puxa mais para tarefas de programação
  • Gemini vira palco de interações sociais e roleplay
  • ChatGPT segue como o parceiro preferido para ajuda escolar

É como observar pessoas escolhendo ferramentas diferentes numa caixa de ferramentas, cada uma para o serviço que faz melhor na cabeça do usuário.

Flock e o design que ninguém questiona

Na outra ponta da reportagem, a Flock Safety, gigante da vigilância policial com uma rede de cerca de 120 mil câmeras leitoras de placas espalhadas pelos EUA, anunciou mudanças pra impedir que agentes usem o sistema pra fins ilegítimos, como perseguir pessoas.

A defesa mais comum que aparece por aí é simples: se a câmera ajuda a resolver um crime, o resto importa pouco. Mas essa lógica pula a pergunta mais relevante.

Que tipo de sistema de combate ao crime a Flock decidiu construir?

Porque a rede funciona do jeito que funciona por causa de escolhas de design: o que coletar, quem pode buscar, por quanto tempo guardar, com quem compartilhar. Cada uma dessas decisões redesenha, na prática, o equilíbrio entre segurança pública e liberdades civis. Não é sobre a câmera em si, é sobre a arquitetura de vigilância por trás dela.

Os dois casos, no fundo, falam da mesma coisa: dados sobre comportamento humano em escala, e quem tem o direito de decidir o que fazer com eles.

Fonte: https://www.technologyreview.com/2026/08/18/1142229/the-download-how-people-use-ai-flock-cameras-design/