A Groq levantou US$ 350 milhões numa rodada liderada pela gestora Disruptive, com participação prevista da Nvidia. O número que interessa não é esse: é o valuation. US$ 3,5 bilhões. Em setembro do ano passado, a empresa valia US$ 6,9 bilhões. Fez as contas? Cortou pela metade.
A empresa, claro, não chama isso de down round. Diz que é apenas um novo valuation para a versão da Groq que sobrou depois que a Nvidia levou o fundador e CEO Jonathan Ross, mais o time de elite, num acordo de licenciamento de US$ 20 bilhões pago aos investidores em dezembro. Chame do que quiser: perdeu o cérebro da operação e o preço caiu. É assim que o mercado costuma tratar esse tipo de saída.
De fabricante de chip a locadora de GPU
A tese original da Groq era competir com a Nvidia em inferência usando processadores próprios, os LPUs. Sem o time que desenhava esses chips, a empresa girou 180 graus: agora opera data centers cheios de sistemas Nvidia, vendendo capacidade de nuvem em vez de silício proprietário. Em junho já tinha captado US$ 650 milhões para tocar esse pivô. Essa nova rodada é o segundo capítulo.
O plano é escalar de 54 megawatts para mais de 200 megawatts em 2027, distribuídos entre 13 data centers na América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia-Pacífico, atendendo a mais de 6 milhões de desenvolvedores e empresas. Alex Davis, chairman da Groq e CEO da Disruptive, resumiu a aposta: inferência vai ser a camada mais crítica da infraestrutura de IA.
Inference will without a doubt become the largest and most critical layer of AI infrastructure.
Bonito no papel. O problema é que ninguém provou ainda que operar nuvem de GPU alugada dá lucro de verdade no longo prazo. A CoreWeave, referência do setor, mostrou receita forte no segundo trimestre e fechou contratos com Meta e Anthropic, mas segue sob desconfiança do mercado por capex pesado, dependência de dívida e hardware que deprecia rápido demais para acompanhar o hype.
O padrão Nvidia se repete
A Groq entra num clube que já tem CoreWeave, Lambda e Nebius: todas compram GPU da Nvidia e recebem investimento da própria Nvidia de volta. É financiamento circular disfarçado de ecossistema. Funciona enquanto a demanda por inferência sustentar o carrossel. Se travar, quem segura a conta é quem entrou depois — e o valuation, esse já mostrou que sabe cair rápido.
Fonte: https://techcrunch.com/2026/08/17/groq-raises-350m-to-fuel-its-pivot-from-ai-chips-to-neocloud/