A Nvidia acabou de colocar US$ 1,5 bilhão na SB Energy, a incorporadora de data centers com raízes no SoftBank e na OpenAI. Em troca do cheque, garantiu algo que vale mais que o valuation: exclusividade. Nenhum concorrente vai fornecer infraestrutura de computação no projeto Ports-Pike, perto de Cincinnati, Ohio.
O capital investido, porém, é a parte pequena da conta. A Nvidia também topou estender até US$ 105 bilhões em crédito para construir o site, que pode sair de 4,25 gigawatts iniciais e chegar a 8 GW, segundo documentos enviados à SEC. Na prática, a fabricante de chips não está só vendendo GPU: está bancando a demanda que vai consumi-la.
Uma dívida que já teve outro dono
SoftBank e OpenAI já figuravam entre os investidores da SB Energy antes desse aporte. E tem uma ironia contábil no meio disso: em novembro, o SoftBank vendeu sua posição inteira em ações da Nvidia, US$ 5,8 bilhões, para financiar outras apostas em inteligência artificial. Agora parte desse dinheiro volta ao ecossistema, só que carimbado como crédito de infraestrutura. Circular, mas funcional — o tipo de engenharia financeira que Wall Street costuma chamar de sinergia.
Do urânio enriquecido aos servidores
O terreno onde tudo isso vai ser construído pertence ao Departamento de Energia dos EUA e já serviu para enriquecer urânio do arsenal nuclear americano e de submarinos da Marinha. A SB Energy vai erguer ali uma usina a gás natural de 9,2 GW só para alimentar o apetite computacional da OpenAI.
A usina deve custar US$ 33 bilhões, refletindo uma alta de 66% em dois anos no custo de construção de plantas a gás, segundo a BloombergNEF.
É o tipo de número que expõe o verdadeiro gargalo da corrida por IA: não é falta de chip, é falta de energia barata. E o problema tende a piorar.
- US$ 1,5 bi investidos diretamente pela Nvidia na SB Energy
- Até US$ 105 bi em crédito para construção do data center
- Capacidade projetada de 4,25 GW a 8 GW
- Usina a gás de 9,2 GW, orçada em US$ 33 bi
Quando essa usina e outras parecidas entrarem em operação, vão brigar por gás natural direto com os mercados de exportação. Essa disputa, segundo previsões citadas pela imprensa especializada, pode triplicar o preço do gás em algumas regiões dos EUA. A Nvidia garantiu seu cliente. Quem vai pagar a conta de energia depois é outra pergunta — e ninguém no comunicado respondeu.