Tecnologia

Flock aperta vigilância, clonagem avança e IA fica mais barata

· por Lia Andrade

Tem dia que a tecnologia parece um daqueles quebra-cabeças de mil peças: cada notícia isolada não diz muita coisa, mas quando você junta todas, aparece um desenho bem interessante. Hoje o desenho mistura vigilância policial, biotecnologia de ponta e uma guerra de preços em inteligência artificial. Vamos por partes.

Flock aperta o cerco, mas a fechadura ainda tem brecha

A Flock, gigante de tecnologia policial conhecida pela rede nacional de leitores de placas, está mudando as regras de acesso ao próprio sistema. O motivo é simples: cresceu a desconfiança sobre vigilância em massa, e vieram relatos de policiais usando a ferramenta para perseguir ex-parceiros. Como resposta, a empresa vai exigir que agentes informem um número de caso criminal antes de qualquer busca, além de ampliar a auditoria automática de pesquisas suspeitas.

Só que aqui entra o detalhe que faz toda diferença: a Flock não verifica se esse número de caso é real. É como pedir para alguém anotar o motivo da visita num caderno sem checar se a informação procede. A trava existe, mas o cadeado ainda pode ser destravado com uma senha inventada.

Clonagem: da conservação de espécies aos limites éticos

Enquanto isso, cientistas encontraram um jeito de usar CRISPR para remover o cromossomo Y de embriões de camundongos machos, transformando-os em clones fêmeas. Parece ficção científica, mas a motivação é bem prática: espécies com poucos indivíduos restantes poderiam ser preservadas mesmo sem fêmeas disponíveis. É clonagem trabalhando como um seguro genético de última hora.

A técnica, porém, abre um leque de aplicações que vai de gado geneticamente modificado até a recriação de pets queridos, e até discussões mais desconfortáveis sobre réplicas humanas sem atividade cerebral, pensadas como fonte de órgãos. O mesmo martelo pode construir uma casa ou derrubar uma parede, depende de quem empunha.

Um mapa celular para quem ainda está crescendo

Em 2017, a cientista Deanne Taylor percebeu uma lacuna gritante no Human Cell Atlas, projeto que tenta mapear cada célula do corpo humano: ninguém estava estudando crianças. E células infantis não são só versões menores das adultas, elas expressam genes de forma diferente, o que explica por que remédios seguros para adultos podem ser perigosos para os pequenos.

Taylor está construindo um banco de dados de tecido pediátrico saudável, uma espécie de manual de instruções sobre como o corpo humano se monta na infância. A ideia é dar aos pesquisadores um ponto de partida confiável e, quem sabe, entender doenças adultas que na verdade começam muito antes.

De brinde, dois lembretes rápidos

  • Em um exercício militar, drones ucranianos “destruíram” uma brigada de tanques americana, expondo vulnerabilidades dos EUA a ataques com drones.
  • OpenAI e Anthropic estão cortando preços para competir com modelos chineses mais baratos, numa corrida que lembra guerra de preço em qualquer mercado de commodities.

Regras, células e algoritmos mais baratos: peças diferentes, mesma engrenagem chamada progresso tecnológico.

Fonte: https://www.technologyreview.com/2026/08/14/1142033/the-download-flock-new-rules-cloning-future/