A Bose sempre foi aquela marca que a gente associa a caixa de som boa e fone que cancela ruído decente. Mas nos últimos anos a empresa mudou de estratégia de um jeito que passou batido pra muita gente. Quem contou os detalhes foi a própria CEO, Lila Snyder, em conversa recente no podcast Decoder, do The Verge.
De fabricante para fornecedora de tecnologia
O pulo do gato aqui é que a Bose deixou de vender só produto com a própria marca e passou a licenciar a tecnologia de áudio pra outras empresas. Isso explica por que fones da Skullcandy e projetores da Epson usam recursos desenvolvidos internamente pela Bose. Na prática, virou uma empresa B2B além de vender direto pro consumidor final, e isso muda toda a estrutura interna, porque agora ela também precisa funcionar como empresa de software.
Faz sentido do ponto de vista de negócio: em vez de brigar sozinha contra AirPods e Galaxy Buds, a Bose passa a ganhar dinheiro mesmo quando o cliente compra o fone de outra marca.
Compra de marcas de áudio de luxo
Outro movimento importante foi entrar no mercado de áudio premium. A empresa vendeu a divisão Bose Professional e comprou duas marcas queridas entre audiófilos: a McIntosh Labs, americana com 75 anos de história, e a Sonus faber, fabricante italiana de caixas acústicas artesanais. Com isso, a Bose deixa de ser uma marca única e passa a operar como um grupo com portfólio de nichos diferentes, do consumidor casual ao colecionador disposto a gastar uma fortuna em equipamento de som.
O que a IA muda no fone de ouvido
A parte mais interessante da entrevista é quando o assunto vira wearables com IA. A ideia é que produtos parecidos com fones, só que voltados pra entrada de voz e processamento de comando, podem se tornar a próxima categoria disputada por gigantes de tecnologia. Snyder foi questionada direto: a Bose está só vendendo tecnologia pra empresas que talvez substituam o fone tradicional, ou tem um plano pra continuar relevante nesse mercado que já foi sacudido quando Apple e Samsung passaram a fabricar os próprios fones sem depender de fornecedores externos?
Não tem resposta simples, mas dá pra ler a jogada da Bose como uma aposta dupla: continuar vendendo produto de qualidade pro consumidor final e, ao mesmo tempo, garantir que a tecnologia da empresa esteja dentro do maior número possível de dispositivos, sejam eles fones, óculos ou qualquer outro wearable que apareça com microfone e processamento de voz embutido.
Pra quem usa fone no dia a dia, o efeito prático é esse: mesmo comprando uma marca que não é Bose, tem chance real de estar usando um chip ou algoritmo de cancelamento de ruído que saiu do mesmo laboratório. É um jeito discreto de continuar relevante mesmo sem aparecer no nome do produto.
Fonte: https://www.theverge.com/podcast/975732/bose-ceo-lila-snyder-ai-wearables-licensing-headphones-audio
