Tem fundo que, quando o mar vira, recolhe as velas. E tem o Situational Awareness, que parece ter decidido comprar mais um mastro. Depois de um mês turbulento, o fundo de hedge focado em IA acabou de colocar US$ 400 milhões na Source Foundry, startup criada por pesquisadores de Stanford para tornar a fabricação de chips mais rápida e mais barata. Somando com um aporte anterior, o total investido na empresa já chega a US$ 500 milhões.
Quem é esse fundo que joga pesado
O Situational Awareness nasceu em 2024 nas mãos de Leopold Aschenbrenner, ex-pesquisador da OpenAI e ainda na casa dos vinte e poucos anos quando decidiu estrear no mercado financeiro sem nunca ter operado antes. Olha que curioso: os primeiros resultados foram fortes, quase um caso de sorte de principiante que deu certo. Só que a maré virou junto com as ações de infraestrutura de IA, que andam derretendo nos últimos meses, e o fundo levou perdas pesadas.
Quando o portfólio público esvazia
No final de julho, a saída foi drástica: o fundo vendeu a maior parte de sua carteira de ações públicas para a Citadel, de Ken Griffin, mantendo apenas as posições em Anthropic. É como esvaziar o cofre para pagar contas, mas guardar a joia da família. O patrimônio sob gestão despencou de US$ 20 bilhões para US$ 10 bilhões, um corte de 50% que colocaria qualquer gestor em modo defensivo.
Por que apostar justo em fabricação de chips
Aí está o ponto que acho mais interessante nessa história. Em vez de recuar para posições mais seguras, o Situational Awareness escolheu reforçar justamente a camada mais dura e cara da cadeia de IA: a manufatura de semicondutores. Se pensar em IA como uma pirâmide, o topo (modelos, produtos, aplicações) é onde todo mundo olha, mas a base (fábricas, litografia, capacidade produtiva) é o que decide quem consegue treinar e rodar esses modelos em escala. Startups como a Source Foundry tentam atacar exatamente esse gargalo, prometendo reduzir custo e tempo de produção de chips, algo que hoje ainda depende fortemente de poucos players concentrados, como TSMC.
Investir na base física da IA, mesmo com o bolso mais curto, sinaliza uma aposta de convicção: o hardware ainda é o limite real do setor.
E a vida pessoal de Aschenbrenner seguiu seu curso paralelo às turbulências financeiras: ele se casou recentemente, prova de que nem todo prejuízo de bilhões cancela uma festa de casamento. Fica a lição de fundo aqui: enquanto ações de infraestrutura de IA balançam no curto prazo, apostar na fabricação física de chips pode ser uma leitura de que a demanda por poder computacional ainda não deu sinais de arrefecer.
