Imagina construir uma usina inteira só para alimentar um único prédio de servidores. É basicamente o que a Amazon está fazendo no condado de Pecos, no Texas — e o resultado pode ser preocupante para o clima.
Segundo reportagem do New York Times, a empresa planeja erguer, ao lado de um futuro data center, uma central elétrica movida a gás natural com licença para liberar até 33 milhões de toneladas de CO2 por ano. Para colocar em perspectiva: nenhuma outra usina em operação nos Estados Unidos tem autorização para poluir tanto.
Por que uma usina própria?
A lógica é simples, embora nada barata: treinar e rodar modelos de inteligência artificial consome uma quantidade absurda de energia, e a rede elétrica tradicional já está no limite em várias regiões. Construir geração própria junto ao data center funciona como montar um gerador gigante no quintal em vez de esperar a concessionária resolver o problema.
Em nota, a Amazon afirmou que a nova geração de energia não vai elevar os custos de eletricidade para famílias do Texas. A frase não é gratuita: data centers vêm enfrentando resistência política crescente justamente por pressionar as contas de luz para cima, movimento que já levou o estado de Nova York a suspender novas construções do tipo em julho.
A conta de carbono não fecha
O momento chama atenção. As emissões de carbono da Amazon subiram 16% no último ano, direção contrária à promessa da empresa de zerar sua pegada até 2040. E a tendência não é exclusiva dela: outras gigantes de tecnologia também apostam em usinas a gás natural de grande porte para sustentar data centers cada vez mais famintos por energia.
- Usina prevista: até 33 milhões de toneladas de CO2 por ano
- Aumento nas emissões da Amazon em 2025: 16%
- Meta original da empresa: zerar emissões até 2040
Questionada sobre a contradição, a Amazon respondeu com uma frase que resume bem o momento do setor:
O mundo parece diferente agora do que quando cofundamos o pacto climático, disse a porta-voz, acrescentando que o compromisso da empresa não mudou.
É o tipo de afirmação que tenta equilibrar dois pratos difíceis de manter no ar: a corrida bilionária por infraestrutura de IA e as metas ambientais assumidas antes que essa corrida existisse. Nenhuma das duas parece disposta a ceder espaço para a outra.
Enquanto isso, cada novo data center anunciado vem acompanhado da mesma pergunta incômoda: de onde vai vir a energia, e quem vai pagar a conta, seja em dólares ou em toneladas de carbono.
