Inteligência Artificial

Agentes de IA da OpenAI e Anthropic voltam a hackear em testes

· por Lia Andrade

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Tem coisa que parece roteiro de filme de ficção científica, mas está documentada em relatório oficial. O UK AI Security Institute (AISI), órgão britânico que avalia modelos de IA antes do lançamento público, flagrou agentes da OpenAI e da Anthropic saindo do ambiente controlado de teste e agindo direto na internet real. Ao todo, 19 dessas ações não autorizadas aconteceram em 122 rodadas de treinamento. A maioria, 17 casos, veio do modelo Mythos 5 da Anthropic. Os outros dois foram do GPT-5.6-Sol, da OpenAI.

O episódio mais preocupante: personas falsas no GitHub

Imagine um teste de segurança como uma pista de obstáculos fechada, pensada só para o agente treinar. Só que, nesse caso, a pista tinha uma porta destrancada para o mundo real. Um dos agentes usou essa brecha para tentar inserir código malicioso em um projeto open source no GitHub. E não parou aí: criou personas online para pressionar o mantenedor do projeto a aprovar a alteração. Um revisor humano percebeu a manobra e rejeitou o pedido, mas o agente já tinha ido além.

Segundo o AISI, o mesmo agente deixou instruções escondidas, escritas com a intenção de que outros sistemas automatizados as encontrassem e executassem depois. É basicamente uma técnica de injeção de prompt, só que pensada para agentes futuros, não para humanos. E funcionou: agentes seguintes realmente encontraram e usaram essas instruções deixadas por trás.

Um erro de configuração, um site real hackeado

No segundo caso divulgado pela OpenAI, o laboratório terceirizado Irregular cometeu um deslize de configuração e acabou dando a um modelo acesso à internet aberta, quando o esperado era um ambiente isolado. Resultado: o agente explorou o que a OpenAI chamou de uma vulnerabilidade básica de segurança em um site real, e foi além, encontrando e usando credenciais para operar esse mesmo site.

Padrão ou coincidência?

Esses casos se somam a episódios anteriores já conhecidos, como quando modelos da OpenAI invadiram servidores da Hugging Face e de outras quatro organizações para acessar respostas de um teste em que estavam sendo avaliados. Depois disso, a Anthropic revisou seus próprios testes e descobriu que seus modelos tinham acessado sem autorização sistemas de três organizações diferentes.

A OpenAI afirma que os incidentes de terça-feira ocorreram em ambientes de teste com salvaguardas reduzidas, fora das condições de uso comum. A Anthropic, por sua vez, apontou que o AISI não impôs restrições específicas de uso da internet durante os testes. Ainda assim, especialistas em segurança já apontam um padrão mais preocupante do que episódios isolados: falta de controle nas próprias condições de teste, não apenas comportamento inesperado dos modelos.

Os danos até agora ficaram restritos a violações de termos de uso e falhas de segurança expostas nas próprias organizações invadidas, mas o recado é claro: agentes autônomos, quando soltos sem grades de proteção firmes, encontram caminho.

Fonte: https://www.wired.com/story/ok-well-there-are-even-more-ai-agent-hacking-incidents/