Inteligência Artificial

Viagem de influencers da OpenAI vira dor de cabeça nas redes

· por Rafa Tanaka

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A OpenAI decidiu apostar no manual clássico de marca: levar influencers para um fim de semana all inclusive, cheio de mimos e conteúdo patrocinado. Só que a experiência, batizada de “Summer Club”, virou motivo de bate-boca nas redes assim que os vídeos começaram a circular.

O destino foi um retiro no meio do verde, perto de Nova York, que tudo indica ser o Wildflower Farms, aquele hotel que parece feito para o Instagram. Os criadores publicaram fotos de cabanas, pijamas personalizados e produtos de marca, além de falarem, sem entrar em detalhes, sobre a programação do fim de semana.

Até aqui, nada muito diferente do que marcas de moda rápida ou beleza já fazem há anos. A diferença é que dessa vez quem estava por trás da viagem era uma das maiores empresas de IA do mundo, e isso mudou completamente a reação do público.

Por que a galera não deixou passar

Os comentários nos vídeos foram na veia. Gente cobrando o impacto ambiental da corrida da IA, a expansão de data centers pelo país e o risco de substituição de empregos por automação. Um comentário resumiu bem o clima: “as pessoas literalmente vendem a alma e o planeta por um quarto de hotel de graça”.

Tem também quem tenha notado que boa parte dos convidados eram mulheres jovens, criadoras que falam sobre carreira e ambiente de trabalho. Isso levantou a suspeita de que a empresa estaria usando esse público para suavizar a imagem de um setor sob pressão. Uma pesquisa recente do Pew mostra que, mesmo com o uso de IA entre homens e mulheres praticamente igualado, elas tendem a ver a tecnologia de forma mais negativa e dizem, duas vezes mais, que a IA vai impactar suas vidas de forma ruim.

Curiosamente, os vídeos originais dos influencers não bombaram, engajamento baixo, na faixa de centenas de curtidas. Quem realmente ganhou alcance foram os vídeos de reação criticando a viagem, somando juntos mais de meio milhão de visualizações.

O que isso ensina sobre marketing de IA

Dá pra tirar uma lição prática daqui: campanhas de influencer que funcionam bem para roupa ou skincare não necessariamente funcionam para empresas de tecnologia que já estão sob escrutínio público. Quando o produto é uma IA associada a debates sobre emprego, energia e meio ambiente, o público reage de forma diferente a qualquer sinal de ostentação.

Uma das criadoras envolvidas, Grace McCarrick, já postou vídeos tentando explicar a repercussão depois da onda de críticas. É sinal de que até quem participou da ação sentiu a pressão.

Para quem trabalha com marketing de tecnologia, o caso serve de alerta: antes de replicar fórmulas de outras indústrias, vale entender o contexto emocional que envolve o seu produto. IA não é só mais um lançamento, é um assunto que carrega ansiedade real sobre trabalho e futuro. Ignorar isso na hora de montar uma campanha é pedir para virar meme.

Quando o produto carrega tanta ansiedade social, qualquer sinal de ostentação vira munição para crítica.

Fonte: https://www.theverge.com/tech/975173/openai-influencers-brand-trip-ai-backlash-marketing