A IA já reescreve código, monta apresentação e responde e-mail. Agora ela está entrando pela janelinha do drive-thru, literalmente. E boa parte dos clientes nem percebe que está falando com um sistema automatizado até prestar atenção na educação exagerada da voz.
Foi assim que uma cliente do Dairy Queen na Carolina do Norte descobriu que tinha feito o pedido para uma IA: a voz era boa demais, agradecia demais, insistia educadamente em vender um Snickers extra no milkshake. Sem falha de comunicação, sem ruído estranho. Só perfeição demais para ser humano.
Os números por trás da mudança
Segundo o levantamento anual da Intouch Insight sobre drive-thru, em 2024 cerca de 4% das redes de fast food nos Estados Unidos usavam IA de voz para atender pedidos. No ano seguinte, o número subiu para 5%. Pesquisas recentes já apontam 6%. Parece pouco, mas o ritmo de expansão conta outra história.
Quem está apostando pesado
Algumas redes decidiram não ficar só testando:
- Taco Bell já rodou IA em 890 drive-thrus, mais de 10% de todas as unidades da marca nos EUA
- Dairy Queen está implementando o sistema em 25 estados, com plano de levar para todas as lojas
- White Castle usa uma IA chamada Julia em 12% das unidades, e toda loja nova já abre com ela no comando
Não é coincidência que essas marcas são justamente as que testaram a tecnologia com calma nos últimos três anos, sem sair anunciando em cima da hora.
O capítulo dos fracassos que ninguém esqueceu
Antes de funcionar de verdade, a IA de drive-thru virou piada nas redes. Teve sistema adicionando 260 nuggets a um pedido enquanto o cliente gritava para parar. Teve bacon aparecendo em pedido de sorvete. Teve gente pedindo 18 mil copos de água só para ver o robô quebrar.
O McDonald’s, que abriu a corrida em 2019 comprando a startup Apprente, acabou vendendo a divisão de tecnologia para a IBM e depois desligou o projeto inteiro. O Del Taco também recuou do próprio teste.
As redes acabaram gastando mais tempo resolvendo o problema que criaram, diz Michael Schatzberg, cofundador da Branded Hospitality. Todo mundo dizia: isso é o pior, para, traz de volta o pessoal do headset.
O que isso significa pra quem só quer pedir um milkshake
A diferença agora é que a tecnologia amadureceu o suficiente para virar rotina, não experimento. Reconhecimento de voz melhor, integração mais rápida com o sistema de pedidos, menos erro bobo. Ainda existe funcionário de plantão pronto pra assumir quando a IA travar com um sotaque mais forte, mas essa rede de segurança está cada vez mais discreta.
Se você ainda não pediu comida para uma IA no drive-thru, é questão de tempo. A pergunta que fica não é mais isso vai funcionar, e sim quando vou notar que já está funcionando.
Fonte: https://www.wired.com/story/ai-conquered-coding-fast-food-is-next/