Inteligência Artificial

Ex-Meta e Snowflake criam unicórnio de US$ 1,2 bi em cibersegurança

· por Caio Mendonça

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Mais uma sigla nasce unicórnio antes de mostrar a régua da receita. A Glow, startup de segurança de endpoints fundada por ex-executivos da Meta e da Snowflake, saiu do modo invisível nesta quarta-feira com uma rodada Série A de US$ 180 milhões, toda em equity, que a avalia em US$ 1,2 bilhão. Sequoia Capital, Cyberstarts, Greenoaks e Redpoint Ventures lideram a mesa, com Index Ventures, Swish Ventures, Lux Capital, Operator Collective e Holly Ventures completando o cheque.

O pitch é simples: a nuvem já teve a década dela, e agora a inteligência artificial pousou direto no notebook do funcionário, abrindo uma superfície de ataque que ninguém blindou ainda. É essa lacuna que o CEO Roi Tiger, ex-vice-presidente de engenharia da Meta, promete cobrar caro para fechar.

Se você pensar na última década, tudo estava migrando para a nuvem e o SaaS. De repente, a IA chega no endpoint de um jeito que a gente nunca viu, disse Tiger.

Ao lado dele estão Omer Singer, ex-chefe de estratégia de cibersegurança da Snowflake, Ophir Arie, ex-VP de pesquisa e desenvolvimento da Claroty, e Arnon Joseph, ex-liderança de engenharia da Meta. Na cadeira de COO está Emily Heath, ex-CISO da United Airlines e da DocuSign, que também passou pelo conselho da Wiz durante a venda de US$ 32 bilhões para o Google — referência e tanto para quem monta currículo de saída bilionária.

Clientes existem, números não

A Glow afirma ter clientes pagantes em saúde, varejo e serviços financeiros, com implantações cobrindo dezenas de milhares de dispositivos em organizações globais. Nomes e volumes ficam em segredo, prática cada vez mais comum entre startups de segurança que preferem deixar o valuation falar antes da planilha de receita.

No motor do produto, a empresa terceiriza a inteligência: usa modelos da Anthropic e o Gemini do Google via Amazon Bedrock, construindo por cima uma camada própria para dar contexto corporativo e reduzir erro em tarefas de segurança. A companhia diz já ter bloqueado pacotes maliciosos de npm e identificado agentes de IA tentando puxar esse tipo de código para dentro do ambiente corporativo, além de flagrar dispositivos com o EDR desligado ou capado.

Mercado sem vaga de estacionamento

O problema é que segurança de endpoint não é terreno vazio. CrowdStrike, Microsoft, SentinelOne e Palo Alto Networks já dominam a briga, e todas vendem prevenção, não só detecção — argumento que Tiger usa para diferenciar a Glow, mas que os concorrentes vão repetir em cada renovação de contrato.

Com quase 100 funcionários, 70% em Israel, a Glow ainda precisa provar que segurança nativa de IA é categoria de verdade e não só rótulo para justificar múltiplo de rodada. O gatilho de mercado está armado: desde que a Anthropic mostrou o modelo Mythos identificando e explorando vulnerabilidades, o apetite por qualquer coisa que promete conter ataques assistidos por IA subiu — e, junto, o preço da entrada.

Fonte: https://techcrunch.com/2026/07/22/glow-emerges-from-stealth-at-1-2b-valuation-to-challenge-endpoint-security-in-the-ai-era/